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O antigo trabalhador que, se por um lado, desempenhava seu papel a contento, cumprindo seu horário e responsabilidades satisfatoriamente, por outro lado, nada, além disso, dava à empresa. E isto nada mais é do que uma obrigação de todos nós. Apesar de poder-se dizer que o possuidor deste perfil é um bom funcionário, também dir-se-ia que, desta maneira, não contribui de forma mais decisiva para o crescimento de uma empresa, em termos de competitividade no mercado.

Inconformismo bem aplicado

O profissional correto, porém acomodado, não tem vez no mercado de trabalho contemporâneo. É preciso mais. Presentes devem estar a iniciativa, o interesse permanente pelos aspectos particulares da empresa, pelos acontecimentos atuais no mercado de trabalho e o inconformismo bem aplicado, levando a uma busca permanente do aprimoramento, autodesenvolvimento pessoal e profissional, uma vez que, enquanto ser humano, os dois pólos não se separam.

Os limites entre os aspectos de vida pessoal e profissional devem ser mantidos, naquilo em que um possa interferir e dificultar o outro. Mas o desenvolvimento deles deve ocorrer de maneira harmoniosa e em paralelo, complementando-se mutuamente. Deve ser cultivada uma insatisfação permanente com a bagagem de conhecimentos que se possui, buscando ampliá-la cada vez mais, para o desenvolvimento do homem enquanto ser realizador.

Qualidade em nossas vidas

Se precisamos ter sempre quem nos exija deveres, oriente permanentemente e vigie a execução de nossas tarefas; nos inspecione quanto a horários de entradas e saídas, devemos nos questionar sobre a qualidade com que vivemos nossas vidas, pois o trabalho faz parte dela e por mais que tentemos, não conseguimos fazer com que seja um compartimento estanque, isolado e indiferente.

Afinal, não é do trabalho que vem o nosso sustento?

Não é do trabalho que tiramos o necessário para a alimentação, vestir, criar filhos, ter direito ao lazer e à infra-estrutura de nossas vidas?

Colaborador participativo

Portanto, não basta ser um bom trabalhador, é preciso ser bom profissional, seja em qualquer nível ou área, com todas as implicações e abrangências que isto acarreta.

A "nova empresa" está disposta a dar mais, não propriamente e infelizmente, nem sempre de modo financeiro. Porém, maior participação será mais considerada e seus pareceres passam a ter mais peso nos seus rumos; maiores benefícios, quanto à flexibilização de horários e vestuários, implantação de benefícios indiretos, eliminação de formas tradicionais de controles de ponto, dando maior credibilidade e responsabilidade ao seu colaborador. Conseqüentemente há maior respeito pelo funcionário, colocando-o num patamar mais digno, mais maduro, motivado e mais firme, gerando maior equilíbrio no quadro de funcionários.

Se algumas conquistas foram alcançadas com a quebra de normas antiquadas e ultrapassadas, ou que simplesmente perderam o sentido no contexto de hoje, faz-se necessário que novos e positivos valores sejam cultivados, como a ampliação do leque de conhecimentos por parte do funcionário, da busca do aprimoramento do seu trabalho, da conscientização de sua responsabilidade como componente de uma "engrenagem" que precisa do bom funcionamento, de forma cooperativa e integrada no conjunto e que, efetivamente, se preocupe e se importe com o resultado final, porque isso também é sua vida.

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A autora é Psicóloga e especialista na área de Recursos Humanos.