
TODOS TÊM DIREITO AO TRABALHO
* Eliane Brasil
O mercado de trabalho vem abrindo espaço lentamente às pessoas portadoras de necessidades especiais, em atendimento à Lei nº 8.213/91, que impõe 2% a 5% de reservas de vagas para portadores de deficiência física, visual, auditiva, mental ou reabilitados, em empresas a partir de 100 funcionários.
A sensibilidade voluntária para este fato, infelizmente ainda é pouca, daí a obrigatoriedade prevista pela legislação.
Muitos fatores estão envolvidos neste tema, mas é fundamental mostrar o admirável potencial inerente ao ser humano em superar barreiras e dificuldades. E o melhor exemplo é a vida de Helen Keller:
Nascida no Alabama, Estados Unidos, em 1880, Helen Keller era uma criança normal até pouco mais de um ano e meio de vida, quando foi vítima de uma enfermidade que os médicos não conseguiram diagnosticar com precisão. A doença tirou-lhe a visão, a audição e, em conseqüência da surdez, incapacitou-a para a fala. Durante cinco anos a menina viveu apenas com os sentidos do olfato e tato, em condições as mais dramáticas, embora seus pais tudo fizessem para solucionar ou amenizar as terríveis limitações. A própria Helen disse, anos depois, que naquele período ela era "como um fantasma vivendo num mundo que não existia".
Certo dia, a mãe de Helen ao ler um trabalho de Charles Dickens soube que no Instituto Perkins, em Boston, o Dr. Samuel Howe havia ensinado Laura Bridgman, criança cega e surda, a ler e escrever através de métodos especiais. O fato havia ocorrido cinqüenta anos antes, mas acendeu uma chama de esperança no coração da família Keller.
O início da libertação
Consultas renovadas a especialistas somente traziam desânimo, para eles a menina seria sempre cega e surda. Alguns suspeitavam também da existência de idiotia. Mas, um dos médicos sugeriu aos pais que procurassem em Washington um professor de surdos-mudos, também conhecido como inventor de instrumentos destinados à transmissão de sons pela eletricidade. Era um escocês, naturalizado norte-americano, mestre em fisiologia vocal, doutor em filosofia, que se imortalizou por ter inventado o telefone. Assim, Helen teve o primeiro contato com Alexander Graham Bell.
Orientado por Bell, o pai de Helen escreveu ao Instituto Perkins que, em resposta, enviou uma professora recém-diplomada para conhecer a menina e buscar os meios de ajudá-la.
A fúria do "fantasma"
Anne Sullivan, a professora indicada, era filha de humildes imigrantes irlandeses, vítimas de aguda pobreza, e desde criança sofria de cegueira parcial. O período inicial de Helen, que havia completado sete anos, e Anne, vinte e um, foi tempestuoso, marcado pela violenta rejeição da menina àquela presença da qual somente sentia o tato e o olfato. Eram gestos bruscos, empurrões e pancadas desferidas pelo "fantasma" para fugir ao contato físico que procurava acalmá-la. Um "fantasma" sem noção do tempo, resistindo à jovem professora semi-cega que tentava fazê-la adotar horários de deitar, dormir, levantar, banhar-se e alimentar-se.
Aquelas cenas foram recriadas no filme que se tornou um dos clássicos do cinema, The Miracle Worker ("O Milagre de Anne Sullivan"), de 1962, dirigido por Arthur Penn, com Patty Duke e Anne Bancroft, revivendo Keller e Sullivan, respectivamente.
Em 1919, o filme Deliverance já havia mostrado o drama vivido por Anne e Helen, também reproduzido em outras obras cinematográficas e peças teatrais.
A descoberta da água
Ao longo de um mês, aluna e professora foram se ajustando e em 5 de abril de 1887 o "fantasma" Helen entrou em contato com o mundo real. No seu livro "Lutando Contra as Trevas", há um trecho do prefácio de Nella Braddy Henney narrando o que ocorreu naquele dia:
"Enquanto Anne jogava água na sua mão, ocorreu à criança, num lampejo, que água, estivesse onde estivesse, era água e os movimentos dos dedos que acabara de sentir sobre a palma das mãos significava água e nada mais. Naquele momento emocionante Helen descobriu a chave do seu reino. Cada coisa tinha um nome e ela possuía um meio de aprendê-lo".
Aos 10 anos, Helen começou a deixar de "falar" com os dedos, iniciando o aprendizado de dicção, exercitando a emissão de sons articulados, com a paciente orientação de Anne. Após onze exercícios, Helen foi capaz de pronunciar com razoável clareza: "Eu agora não sou muda".
Professora e aluna jamais se separaram, com Anne participando de todas as atividades de Helen, que a partir de 1908 escreveu quatorze livros. Em 1913 começou a falar em público, apesar dos sons guturais, realizando freqüentes conferências.
Homenagens em todo o mundo
Helen abraçou o socialismo, a defesa dos direitos da mulher e participou da fundação e ajuda a várias instituições para cegos e surdos-mudos. Amiga de Charles Chaplin, Mark Twain, Bernard Shaw e tantas personalidades mundiais, manteve particular amizade a Graham Bell, pois jamais esquecera que o inventor, ao recebê-la carinhosamente e indicar o Instituto Perkins, havia sido um elo importante na corrente que a havia livrado de uma vida de silêncio e trevas. O "fantasma" tornara-se filósofa, escritora, poetisa, laureada em várias áreas do conhecimento humano. Sabia álgebra, matemática, grego e latim, lia e falava, também, francês e alemão.
Percorreu os cinco continentes, sendo recebida por reis, rainhas e presidentes, sempre causando profunda emoção em todos os países. No Brasil, em 1953, não foi diferente, sendo carinhosamente recebida no Rio, quando falou no Instituto Benjamim Constant e no Instituto de Educação; em São Paulo conheceu o admirável trabalho de Dorina Norwill, também cega, diretora da Fundação Brasileira de Proteção aos Cegos que se empenhava em campanhas para que fosse proporcionado trabalho aos deficientes visuais.
Anne Sullivan morreu em 1936, aos 70 anos; Helen Keller em 1968, aos 88 anos. Pouco antes de morrer, Helen escreveu esta mensagem:
"Espero, feliz, a aproximação do outro mundo, em que todas as minhas limitações cairão como grilhetas. Aí hei de encontrar a minha querida professora e me dedicarei, com júbilo, a um trabalho bem maior do que, até o presente, conheci".
* Eliane Brasil é Psicóloga, com especialização na área de Recursos Humanos; também elaboradora e divulgadora de sites.
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HOMEM DEUS
* Mauricio Antero de Carvalho
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“A verdadeira religião ensina, orienta, edifica, porém, não ameaça. A infinita bondade de Deus não pode ser clava mortal para os pecadores”.
Austregésilo de Athayde
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Este pequeno trecho foi extraído do livro “Algemas Invisíveis”, lançado em novembro de 2008, pela CEAC Editora, com autoria de Adeilson Salles. Importa atentar para a responsabilidade que todos (ora vivendo na matéria ou não) temos em respeitar as Leis Naturais, isto é, as imutáveis Leis de Deus. O re ligare, termo de onde deriva a palavra religião, traz ínsito – latu sensu – a idéia de retomar a ligação (com Deus) que, em dado momento, restou distanciada e, em decorrência de nossos equívocos, momentaneamente perdida. Portanto, toda maneira de se externar a busca dessa celeste re-ligação é extremamente válida, mesmo que eventualmente ainda de modo possivelmente insincero (movido por escusos interesses materiais) por parte de imprudentes aliciadores de (in)consciências.
“Lamentavelmente os homens utilizam-se das religiões não para se religar a Deus, mas para se desligar do próximo e dominar outros homens. As religiões criadas pelos homens são pagãs, trazem na aparência a palavra de vida e na sua prática, a discriminação. Uns afirmam: O nosso Deus é fiel. Outros mais exortam: Só nosso Deus tem poder!
A formação de grupelhos, que se dizem escolhidos, só denota o orgulho e a prepotência enraizada no coração humano. Enquanto não percebermos e sentirmos que todos somos iguais, continuaremos a criar “deuses” à imagem e semelhança do que temos de pior. Urge que atentemos para nossa pequenez”.
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* Advogado. |
UM BRASILEIRO NA VIDA PARISIENSE
* Murilo Brasil
Com o título acima, a extinta revista Manchete apresentou na edição de 1 de fevereiro de 1975 extensa matéria assinada pela jornalista Rosa Freire D'Aguiar enfocando o sucesso de Jean-Marc Recchia, como ator principal da peça La Vie Parisienne, uma opereta de Offenbach que estava sendo apresentada no famoso Opera Comique, o teatro mais importante da França, logo depois do Opera de Paris. A peça já fizera sucesso na capital francesa, cerca de dez anos antes, quando o personagem principal fora vivido no palco pelo célebre Jean-Louis Barrault. Vale salientar que Jean-Marc foi o primeiro brasileiro a cantar, nos palcos, a dificílima ária daquela opereta. Diante do sucesso da crítica e do público, a revista Manchete fez estes destaques sobre o nosso astro que brilhava na Cidade-Luz:
"Quando se mudou para a Europa, em 1967, Jean-Marc tinha 19 anos e estava disposto a estudar teatro a sério. Sua bagagem teatral, levada em consideração sua idade, era considerável: trabalhara no Brasil com Maria Clara Machado, fizera cursos com Henriette Morineau, estudara dez anos de dança e balé. Chegando a Paris, dedicou-se durante três anos, exclusivamente, ao seu aperfeiçoamento".
Na sequência, a revista destaca trechos da entrevista do nosso cantor lírico e bailarino:
" - Um ator de teatro deve ser o mais integral possível. Quanto maiores os meios que tenha em mãos, menores os desafios. Se no Brasil já é difícil encontrar um bom papel, no exterior a concorrência é muito maior. E para um artista brasileiro, então nem se fala. Ele tem que dominar todos os meios de expressão para conseguir vencer as barreiras da concorrência. Só agora percebo que meus cursos no Rio, as aulas de canto e dança tornaram as coisas um pouco mais fáceis".
O currículo de Jean-Marc é realmente impressionante: três anos de arte dramática, com Henriette Morineau e mais três com Renê Simon, em Paris. Na dança clássica: dez anos com Eugenia Feodorova, além de três anos de Conservatório Superior de Arte Lírica, da França. Atuou no Teatro Municipal, do Rio, nos balés O Quebra-Nozes, de Tchaikowsky, e O Descobrimento do Brasil, de Villa-Lobos, além de outros palcos de prestígio em cidades francesas e de outros países, com operetas e espetáculos musicais.
Na edição de 5 de junho de 1976, a revista Manchete voltou a registrar o desempenho de Jean-Marc nos palcos da França, daquela vez no espetáculo Orquestra de Senhoritas, de Jean-Anouilh, que era exibido no Campagne Première, em Montparnasse, formado por sete atores, dos quais quatro eram brasileiros. Eis o final do comentário da revista:
"O último dos brasileiros é o talentoso Jean-Marc Recchia, no delicioso papel de Madame Hortência, que o torna, sem dúvida, o fio condutor, a batuta da orquestra. Sua imponência e domínio em cena são responsáveis pelos grandes momentos do espetáculo".
No cinema, Jean-Marc contracenou com Charlton Heston, Bourvil e outros astros e estrelas, enquanto na TV (Antenne 2, da França) participou de elencos com Michel Serrault. Uma trajetória de consagração para um carioca, filho de pais franceses, nascido em 1948, em Santa Tereza, vivendo uma infância e pré-adolescência num ambiente cultural que alicerçou seu talento artístico e construiu seu êxito internacional.
Regressando ao Brasil em 1995, Jean-Marc foi destaque na peça Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, direção de Gracindo Jr. A peça, na temporada de 2002, foi exibida em várias cidades brasileiras. Na luxuosa encenação, interpretando o personagem Ferraillon, o brilhante Jean-Marc, 1,90 de altura, um vozeirão e enorme talento, contracenou com Maitê Proença, Françoise Forton, Edwin Luisi, Herson Capri e outros nomes de relevo em nosso mundo artístico.
Eis o resumo da rica biografia de um artista brasileiro que, ao longo de trinta anos, venceu em difíceis terras francesas, impondo-se a um público exigente e à severidade da crítica.
* Jornalista e Escritor - www.murilobrasil.com.br |
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Artigos já divulgados neste espaço, iniciado em abril/2008:
A AMAZÔNIA
É NOSSA! - * Ricardo
Maranhão
OS
ENCANTOS DA ARTE INFANTIL - * Nete
Buback
AOS
FUMANTES E AOS NÃO FUMANTES - * Ingeborg
Orlandi
ENCONTROS
POSSÍVEIS - * Sylvia
Regina Marin
ÁGUA - O BEM MAIS PRECIOSO - *
Lygia Sánchez
OPORTUNIDADE DE CRESCER - * Valéria Barbosa
ANTEVISÃO DE PRÓXIMAS ENCARNAÇÕES - * Maurício Antero de Carvalho
OS BOMBARDEIOS DE NÁPOLES NÃO TIVERAM PICASSO - * Myriam de Filippis
ÁGUA - A FALTA QUE NOS FAZ - * Lygia Sánchez
A GLÓRIA DE GOYA E A TRAGÉDIA DE HITLER - * Murilo Brasil
O DIA DO FIM DO MUNDO - * Sylvia Regina Marin
PARA ENTENDER OS SISMOS (TERREMOTOS) - * Cláudio
M. Lessa de Castro
CONSCIÊNCIA BRASILEIRA -
* Ricardo Maranhão
CONFIANÇA RECIPROCA -
* Mauricio Antero de Carvalho
EU NÃO SOU CAPITU ! - * Sylvia
Regina Marin
ÁGUA, PLANTAS E MOSQUITO - * Lygia Sánchez
ÁGUA E MOSQUITOS, SEM DENGUE - * Lygia Sánchez
ALGUÉM DISTANTE - * Claudomiro José Cardoso de Almeida
FESTA DO DIVINO - * Bárbara Alice
DESAFIO DE TORNAR UM TEMA ADULTO EM APRENDIZADO INFANTIL - * Valéria Barbosa
VIAGENS - * Myriam de Filippis
SEM ÁGUA
NÃO HÁ VIDA - *
Edgard Faduco
MÍNIMO MÁXIMO COMUM (O valor da imprensa alternativa) - * Ricardo
Maranhão
LUGARES QUE NÃO CONHEÇO, PESSOAS QUE NUNCA VI - * Sylvia
Regina Marin
A RENOVAÇÃO EXIGE CORAGEM E PERSEVERANÇA - * Mauricio Antero de Carvalho
A LÁGRIMA DA FLOR -
* Murilo Brasil
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