Contornos  do  Rio de Janeiro

 

O  MERGULHO  NA  HISTÓRIA  DA  CINELÂNDIA  ATRAVÉS  DO  AMARELINHO

Em 2004, pesquisas nos variados sites de busca não apresentavam qualquer referência ao Café Amarelinho, apenas o Google o citava, superficialmente, como local de encontro de integrantes de uma instituição sionista nos anos 1920 e 1930.  Mergulhando no passado, apuramos que o nome “Amarelinho” foi dado pela população em razão da cor externa do edifício, uma das modernas construções surgidas a partir de 1925 no terreno do antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Ajuda,  com a inauguração dos suntuosos cinemas Odeon, Império, Glória, Capitólio, tornando realidade o sonho do empresário espanhol Francisco Serrador Carbonell, A Cinelândia.

No edifício amarelo instalaram-se escritórios, consultórios, estúdios fotográficos, redações de órgãos da imprensa etc.  No 1º andar passou a funcionar o Bazar Istambul, e no térreo um misto de café, restaurante e sorveteria, que funcionava desde 1921 em outro local.  Naqueles anos finais da década de 1920 havia famosos cafés no centro do Rio, frequentados por artistas, intelectuais, compositores, políticos e celebridades dos mais variados matizes.  Ao transcurso do tempo, estes locais ganharam fama e prestígio na crônica do Rio, à exceção do Amarelinho, pouco citado.

A pesquisa de 2004 evidenciava o esquecimento, mas a partir daquele ano vem se realizando um meticuloso trabalho de resgate, que se iniciou com a elaboração de um site, prosseguido pelo lançamento em 2006 do livro “O Amarelinho é a Luz da Cinelândia”, com o objetivo de contar o passado das áreas onde hoje se ergue a Cinelândia.  A obra teve uma 2ª edição (bastante ampliada), apresentada em 2009, que levou o radialista, jornalista, escritor, crítico musical e pesquisador Osmar Frazão a divulgar no seu site uma nota, sob o título Atenção ao Amarelinho, da qual extraímos os seguintes trechos:

“Atenção pesquisadores, admiradores e estudiosos da música popular brasileira. Vem aí um trabalho que certamente ajudará a resgatar uma parte importante de nossa cultura e corrigirá um erro terrível cometido por muitos: o esquecimento do Amarelinho, na Cinelândia, um dos pontos importantes de nossa história cultural. Diria mesmo fundamental para o entendimento de como surgiu nossa música popular. Eliane e Murilo Brasil estão aprontando a 2ª edição de “O Amarelinho é a Luz da Cinelândia”.  Segundo Eliane, esta edição, revista e ampliada, conservará todo o texto da 1ª edição, com vários acréscimos; além de capítulos sobre Aracy Cortes, André Filho, Nássara, Wilson Batista, Eratóstenes Frazão, cujas fontes de pesquisa são Carvalhinho, Ricardo Cravo Albim, Sérgio Cabral. Eu também ajudarei Murilo e Eliane, humildemente, com o que souber sobre nossa música.

Nosso amigo João Roberto Kelly também será uma fonte riquíssima de pesquisa, imprescindível para uma obra que visa colocar, com real merecimento, o Amarelinho num cenário histórico onde pontificam o Café Nice, a Colombo, o Bar Nacional e outros estabelecimentos da extinta Galeria Cruzeiro, além do Bar Luiz, o Lamas, como pontos históricos de reuniões de artistas e compositores.  Mas, a injustiça será eliminada e o Amarelinho terá o merecido lugar na história cultural e sentimental do Rio”.

E é do compositor, consagrado como o “Rei das Marchinhas”, o prefácio do livro, do qual transcrevemos estes parágrafos iniciais:

“Na década de 60, quando comecei a fazer sucesso com minhas marchinhas de carnaval, tornei-me assíduo frequentador de dois pontos fundamentais da folia carioca: o Cordão da Bola Preta e o Clube dos Embaixadores. Na época, trabalhava na TV Excelsior, em Ipanema, musicando os shows da emissora. Bons tempos...

Chegava quinta, sexta-feira, lá estava eu na Cinelândia, com o pessoal da Editora Irmãos Vitale, com o querido Laribel de Brito à frente, fazendo a pé o circuito Bola - Embaixadores.  Naquele pequeno e alegre percurso conheci o famoso Amarelinho, parada obrigatória para a gente tomar uma rodada de chope e colocar o papo em dia.

O Amarelinho era frequentado por muitos cantores e compositores famosos, bem como por artistas plásticos e de teatro. Jornalistas respeitados também faziam ponto ali. Era comum encontrar em suas mesas Bororó, o inesquecível autor de “Da cor do pecado”, o jornalista e historiador Jota Efegê, o cantor Blecaute, o então estudante de direito Albino Pinheiro, o empresário teatral Gomes Leal, o compositor J. Piedade e os legendários maestros Sodré (Bola Preta) e Russo (Embaixadores), todos unidos pelo espírito boêmio e amigo daquele prestigiado recinto”.

O prefácio de João Roberto Kelly é precioso manancial para os estudiosos da história cultural do Rio, e seu final nos revela: 

“Foi na Cinelândia que eu senti o gosto pelo carnaval. Lancei, no Clube dos Embaixadores e no Cordão da Bola Preta, várias marchinhas que todo mundo canta e admira.  Confesso que até hoje choro de emoção quando o Cordão da Bola Preta, em seu consagrado desfile do sábado de carnaval, sai tocando a “Cabeleira do Zezé”, a “Mulata Bossa Nova” e tantas outras composições minhas, que hoje têm 40, 50 anos, mas que ainda eram crianças naqueles anos 60.

O Amarelinho, de tão gratas recordações, continua mais vivo do que nunca, fazendo novos amigos e novas histórias”.

Nosso trabalho de resgate, que desde o início tem contado com o pleno apoio de José Lorenzo Lemos, sócio-proprietário do Amarelinho, também despertou o interesse de João Havelange, que fez esta apreciação sobre a 2ª edição do livro:

“A 2ª edição do livro O Amarelinho é a Luz da Cinelândia sensibilizou-me profundamente, pois recordei minha juventude.  Li com atenção todos os capítulos, que demonstram, de forma muito precisa, o sentimento de amor daqueles que o frequentam.  Uma veneração que devemos respeitar e aplaudir, pois me permito situar dentre estes”. 

Hoje, o Amarelinho, com justo orgulho, tem as palavras do Presidente de Honra da FIFA entronizadas no andar térreo do estabelecimento.  Em outra análise, Havelange faz esta especial evocação sobre a Cinelândia:

“Retornar o meu pensamento à Cinelândia de minha juventude é recordar o Amarelinho que, naquela época, era considerado de grande importância para as reuniões culturais de nossa juventude.  É de nosso dever, lembrando esse passado tão importante na nossa formação, mencionar e reviver, permanentemente, o que representou de valor cultural e ético esse local, pelos exemplos que apresentou e como tal será eternamente lembrado e respeitado.  Hoje ainda está a representar o seu papel no cenário tão agradável que continua a ser a nossa Cinelândia, naturalmente mais adequada aos tempos atuais”.

Por sua vez, o Google que faz rastreamentos com base no conteúdo e na atualização, detectou a importância do nosso trabalho. Assim, aquela solitária referência existente em 2004 multiplicou-se de forma impressionante: seja Café Amarelinho ou Amarelinho da Cinelândia, a busca atualmente oferece milhares e milhares de referências.  Tudo fruto de um trabalho que prossegue, principalmente com a atualização do site e permanente enriquecimento do link “Gente Luminosa – Oscar Niemeyer e muito mais”, no menu “História” (www.amarelinhodacinelandia.com.br) .

O conhecimento dos textos ali exibidos nos faz entender que as poucas referências ao Amarelinho representavam, acima de tudo, o desconhecimento de parte importante da Cinelândia, um local que merece, sempre, ser valorizado e cultuado por todos nós.

 

UM DEPOIMENTO

SOBRE

OS BONS TEMPOS

DA CINELÂNDIA

 

 

 

 

 

Foto - Anos 50 - Wilson Maduro, à porta da Livraria Royal.

Wilson Maduro, proprietário da Livraria Yves de Kermatin, na Rua Pedro Lessa, é um cultor do passado da Cinelândia, a partir do final dos anos 1940. A Livraria Royal, onde trabalhou entre 1953 e 1958, foi um estabelecimento dos mais movimentados da Praça Floriano, ponto de encontro de intelectuais, parlamentares, artistas e compositores, estes interessados principalmente nos lançamentos de discos da nossa música popular, além do numeroso público que frequentava os famosos cinemas da área.

Maduro dispõe em sua livraria de obras com informações e imagens daqueles bons tempos. Material imprescindível para pesquisadores e interessados no passado da Cidade do Rio de Janeiro.

Com José Lorenzo Lemos, sócio- proprietário do Amarelinho que, desde 2003, tem dado pleno apoio ao projeto de resgate histórico da Cinelândia

João Roberto Kelly - Valioso participante da campanha pelo resgate histórico da Cinelândia

Visita a Osmar Frazão, na Rádio Nacional

MEDALHA PEDRO ERNESTO PARA O NOSSO HEROI DA RESISTÊNCIA

Mais uma merecida homenagem é prestada a Osmar Frazão, o radialista que se destaca na defesa e divulgação da música popular brasileira e da cultura da Cidade Maravilhosa, revelando sensibilidade ao trabalho que desenvolvemos em prol do resgate histórico da Cinelândia.

O local onde ele promove desde 1990 seus grandiosos bailes de carnaval, reunindo numerosos artistas de várias épocas, num espetáculo de canto e dança que se consagra como uma das atrações da folia carioca. Na 2ª edição do livro "O Amarelinho é a Luz da Cinelândia", lançado em 2009, há o reconhecimento àquele que desde 21/junho/2011 está agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, iniciativa do vereador Reimont, apoiada pela imensa legião de fiéis admiradores do radialista, que se espalham por todo o Brasil.

   

 

   

DIVULGAÇÃO   CULTURAL

A partir da construção do site e da elaboração de livros sobre a Cinelândia, tornei-me divulgadora cultural do Amarelinho, tendo a oportunidade de conhecer pessoas que me enriquecem profissionalmente, conquistando amigos.

Com Maria Fernanda, da Fundação Oscar Niemeyer

Acima -  Entrevista dada no Programa "Elas São Mulheres", de Sonia Monte, na Rádio Bandeirantes AM - 1360 Mhz  - elassaomulheres.blogspot.com

 

Em 2011, abracei também a divulgação cultural da Livraria YVES DE KERMATIM (também conhecida como "a Livraria do Wilsinho", na Rua Pedro Lessa) que atua principalmente na área jurídica, muito prestigiada pelos operadores do Direito, oferecendo também obras sobre variados assuntos.

É dirigida por Wilson Maduro (foto), um especialista, em edição de livros.

Os interessados nos livros aqui apresentados podem mandar e-mail com seus telefones para: elibrasil3000@gmail.com

A Livraria fará contato, combinando forma de pagamento e entrega.

 

Outros temas oferecidos pela Livraria

O autor - Cláudio R. Vieira - é formado em Filosofia pela PUC de Minas Gerais, e Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis. Professor, músico, estudou no Convento dos Franciscanos de MG e trabalhou com pacientes portadores de distúrbios psiquiátricos. A obra publica pesquisas ao longo de 11 anos.

428 páginas

Autor - Cláudio R. Vieira. Formador de conselheiros em dependência química. Dá supervisão clínica a psicólogos e estagiários.

Destinado a usuários em processo de recuperação, profissionais da área de saúde, educação, direito, grupos de movimentos anônimos e instituições de tratamento. É um estudo sério sobre drogas, classificando-as quanto a efeitos e toxidade. Orienta familiares e propicia esclarecimentos jurídicos, em linguagem clara e objetiva.

"Drogas, Eis a Questão"

64 páginas

   

ACOMPANHAMENTO  DE  EVENTOS

Noticio, no site do Amarelinho, eventos lá realizados ou por ele apoiados, fazendo fotos.

Com Geraldo Lima, Produtor Cultural

 
Com o DJ Beto Carvalho

Ao lado, com Ricardo Boechat, jornalista, radialista e apresentador de TV, na campanha, na Cinelândia, para a obtenção de doadores de medula óssea.

 

Carlinhos Marketti, responsável pela programação mensal dos eventos que aconteciam no Amarelinho da Cinelândia.
Entrega de livro no sorteio da festa do Programa "Elas são mulheres", de Sonia Monte. Ao lado, duas participantes do Programa: Luisa Castilho, consultora da Jafra e a Dra. Tanúbia Brandão, dentista.
Com José Soares, o sócio-proprietário que dirige as atividades noturnas do Amarelinho.
 

PROGRAMAÇÃO VISUAL

O Amarelinho, desde 2007, exibe imagens históricas da Cinelândia, numa exposição permanente que provoca interesse do grande público frequentador.

 

 

REGISTROS  FOTOGRÁFICOS  DO  RIO,  DE DETALHES  HISTÓRICOS  E CULTURAIS  ALÉM DE  VARIEDADES . . .

Parte superior externa do Teatro Municipal, após restauração em 2011.

 

Detalhe da linda águia restaurada, reluzindo ao sol.

 

Em 10 de fevereiro de 2012, a convite de Heloisa Alves, Coordenadora do Projeto Memória do Cordão da Bola Preta, presenciei ao lado do presidente do Bola, Pedro Ernesto, o marco inicial deste trabalho.

Registraram a importância do livro de Murilo Brasil, que com sua precisão em pesquisa histórica, vem norteando os trabalhos atuais.

 

 

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